Semana de Arte Moderna (1922)
Fonte:Encarta-BR
Arte moderna, Semana de, evento de 1922 que representa uma renovação de linguagem, a busca de experimentação, a liberdade criadora e a ruptura com o passado.
Oficialmente, o movimento modernista irrompe, no Brasil, com a Semana de Arte Moderna que, em de três festivais realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresenta as novas idéias artísticas. A nova poesia através da declamação. A nova música por meio de concertos. A nova arte plástica exibida em telas, esculturas e maquetes de arquitetura. O adjetivo "novo", marcando todas estas manifestações, propunha algo a ser recebido com curiosidade ou interesse.
Não foi assim. Na principal noite da semana, a segunda, enquanto Menotti Del Picchia expunha as linhas e objetivos do movimento e Mário de Andrade recitava sua Paulicéia desvairada, inclusive a Ode ao burguês, a vaia era tão grande que não se ouvia, do palco, o que Paulo Prado gritava da primeira fila da platéia. O mesmo aconteceu com Os sapos, de Manuel Bandeira, que criticava o parnasianismo. Sob um coro de relinchos e miados, gente latindo como cachorro ou cantando como galo, Sérgio Milliet nem conseguiu falar. Oswald de Andrade debochou do fato, afirmando que, naquela ocasião, revelaram-se "algumas vocações de terra-nova e galinha d'angola muito aproveitáveis".
A semana era o ápice, ruidoso e espetacular, de uma não menos ruidosa e provocativa tomada de posição de jovens intelectuais paulistas contra as práticas artísticas dominantes no país. Práticas que, embora aceitas e mantidas, mostravam-se esgotadas para expressar o tempo de mudanças em que viviam. A fala de Menotti del Picchia, afirmando que a estética do grupo era de reação e, como tal, guerreira, não deixava margem à dúvidas: "Queremos luz, ar, ventiladores, aeroplanos, reivindicações obreiras, idealismos, motores, chaminés de fábricas, sangue, velocidade, sonho em nossa arte. Que o rufo de um automóvel, nos trilhos de dois versos, espante da poesia o último deus homérico, que ficou anacronicamente a dormir e a sonhar, na era do jazz band e do cinema, com a flauta dos pastores da Arcádia e os seios divinos de Helena".
Antecedentes
Vários fatos contribuiram para a Semana de Arte Moderna de 1922. Em 1912, Oswald de Andrade chega da Europa influenciado pelo Manifesto futurista de Marinetti, funda o irreverente jornal O Pirralho e, em suas páginas, critica a pintura nacional. O pintor russo Lasar Segall, em 1913, desembarca em São Paulo com um estilo não acadêmico, inovador e de cunho expressionista. Annita Malfatti, em 1914, após mostrar seus trabalhos ligados aos impressionistas alemães, decide estudar nos Estados Unidos. Em 1917 - ano de grande agitação político-social, greves e tumultos marcando as lutas do operariado paulista -, inaugura-se a nova exposição de Anita Malfatti, impiedosamente criticada por Monteiro Lobato no artigo Paranóia ou mistificação. Menotti del Picchia publica Juca mulato, um canto de despedida à era agrária diante da urbanização nascente. Em 1920, Oswald de Andrade diz que, no ano do centenário da independência, os intelectuais deveriam fazer ver que "a independência não é somente política, é acima de tudo independência mental e moral".
A estes episódios, somavam-se as idéias vindas do exterior. Do início do século XX ao momento em que foi deflagrada a semana, 21 movimentos culturais haviam ocorrido no Ocidente:
— Fauvismo, 1905.
— Expressionismo, 1906.
— Cubismo, 1907.
— Futurismo, 1909.
— Raionismo, 1911.
— Orfismo, 1912.
— Cubo-futurismo, 1912.
— Suprematismo, 1912.
— Não-objetivismo, 1913.
— Vorticismo, 1913.
— Imaginismo, 1914.
— Dadaísmo, 1916.
— Neoplasticismo, 1917.
— Ultraísmo, 1918.
— Bauhaus, 1919.
— Espírito-Novo, 1920.
— Pintura metafísica, 1920
— Musicalismo, 1920.
— a Neue Schlichkeit, 1922.
— Manifesto dos pintores mexicanos (Siqueiros, Orozco, Rivera. 1922).
— Nova objetividade, 1922.
A semana coincide com a Nova objetividade e com o manifesto dos mexicanos, mas seu ideário estava mais ligado a 1909. Embora rejeitassem a denominação de "futuristas", esta doutrina se ajusta à paisagem paulistana do momento e lhes dá instrumentos de trabalho para as idéias renovadoras que visavam implantar.
O contexto político-social em que ocorre a semana é, também, de agitação e mudanças. As sucessivas crises da economia cafeeira, sustentáculo da vida republicana, haviam abalado o prestígio social da aristocracia rural paulista. Ao mesmo tempo, expande-se a industrialização com conseqüente urbanização e maior mobilidade social. A pequena burguesia, que subira à cena política no início da república (1889), começa a dar sinais de inquietação. A grande burguesia se divide, com um segmento investindo na indústria nascente e hostilizando o segmento agrário que ainda controla o poder público.
Composição do grupo modernista
É neste contexto conturbado que se compõe o grupo modernista. Entre outros, dele fazem parte os prosadores e poetas Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti Del Picchia, Guilherme de Almeida, Agenor Barbosa, Plínio Salgado, Cândido Motta Filho e Sérgio Milliet. Os pintores Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro e John Graz. Os escultores Victor Brecheret e W. Haeberg. Os arquitetos Antonio Moya e George Przirembel. Em preparação à semana, um grupo vem ao Rio de janeiro para buscar a adesão de artistas que consideravam simpatizantes às idéias modernizadoras: Manuel Bandeira, Renato Almeida, Villa-Lobos, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreyra e Sérgio Buarque de Hollanda.
Programa do modernismo
1921 marca o início da busca de abrir terreno às idéias novas:
— Rejeição das concepções estéticas e práticas artísticas românicas, parnasianas e realistas.
— Independência mental brasileira e recusa às tendências européias em moda nos meios cultos conservadores.
— Elaboração de novas formas de expressão, capazes de apreender e representar os problemas contemporâneos.
— Transposição, para a arte, de uma realidade viva: conflitos, choques, variedade e tumulto, expressões de um tempo e uma sociedade.
Estas idéias se desdobram com o crescer do movimento, gerando os mais diversos caminhos: a poesia pau-brasil, o verde-amarelismo, a antropofagia (ver Antropofagia cultural), o regionalismo, a reação espiritualista e a consciência social.
Mário de Andrade, em estudo que levanta alarido e protestos, analisa Os mestres do passado, criticando os ídolos do tempo: Francisca Júlia, Raimundo Correia, Alberto de Oliveira, Olavo Bilac e Vicente de carvalho. Oswald de Andrade, no artigo O meu poeta futurista, provoca reações transcrevendo versos de Mário, dentro da estética inovadora (ver Poesia moderna brasileira).
Os festivais da semana, reunindo o grupo rebelde, ecoam a divisão dos grupos artísticos ligados ao passado e introduzem as coordenadas culturais da nova era, o mundo da técnica e do progresso que o modernismo glorifica para, depois, criticar por suas conseqüências na esfera política e social.
Contradição fatal
"A aristocracia tradicional nos deu mão forte", confessa Mário de Andrade. "Dois palhaços da burguesia, um paranaense, outro internacional - Emílio de Menezes e Blaise Cendrars - me fizeram perder tempo", diz Oswald. "Fui com eles um palhaço de classe", apontam ambos, com lucidez intelectual, para a contradição que só do tempo faria evidente: esteticamente revolucionário, o movimento traria ou aprofundaria conquistas - o verso livre, por exemplo - que se tornariam definitivas. Uma nova visão e conceituação do fenômeno poético, da concepção da forma, da função das imagens e de todos os recursos técnicos de expressão artística. Assim obteriam, como afirma Mário de Andrade no mesmo balanço autocrítico, "direito à pesquisa estética livre de cânones limitadores; a atualização da inteligência artística brasileira e a estabilização de uma consciência criadora nacional.
Por volta de 1930, o movimento triunfante completa a ruptura com as tradições conservadoras e acadêmicas, abrindo o caminho a novas perspectivas e rumos, trilhadas pelas gerações seguintes. Na ferina expressão de Franklin de Oliveira, a Semana de Arte Moderna foi "uma revolução que não saiu dos salões". Sublinhando a autocrítica dos principais líderes do modernismo, Franklin afirma que os modernistas "não pegaram "a máscara do tempo, para esbofeteá-la, como ela merecia ". Esta posição levou o grupo a acreditar que nada havia feito de útil. As palavras de Mário de Andrade definem este sentimento: "Eu creio que os modernistas da Semana de Arte Moderna não devemos servir de exemplo a ninguém. Mas podemos servir de lição."
Este blog é um ponto de encontro dos alunos da professora Betânia com as possibilidades da nossa língua.
7.30.2011
Memórias Póstumas de Brás Cubas - resumo e análise da obra de Machado de Assis
Memórias Póstumas de Brás Cubas - resumo e análise da obra de Machado de Assis
Ao criar um narrador que resolve contar sua vida depois de morto, Machado de Assis muda radicalmente o panorama da literatura brasileira, além de expor de forma irônica os privilégios da elite da época
Publicado em 1881, o livro aborda as experiências de um filho abastado da elite brasileira do século XIX, Brás Cubas. Começa pela sua morte, descreve a cena do enterro, dos delírios antes de morrer, até retornar a sua infância, quando a narrativa segue de forma mais ou menos linear – interrompida apenas por comentários digressivos do narrador.
NARRADOR
A narração é feita em primeira pessoa e postumamente, ou seja, o narrador se autointitula um defunto-autor – um morto que resolveu escrever suas memórias. Assim, temos toda uma vida contada por alguém que não pertence mais ao mundo terrestre. Com esse procedimento, o narrador consegue ficar além de nosso julgamento terreno e, desse modo, pode contar as memórias da forma como melhor lhe convém.
FOCO NARRATIVO
Com a narração em primeira pessoa, a história é contada partindo de um relato do narrador-observador e protagonista, que conduz o leitor tendo em vista sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas nos permitirão ter acesso aos bastidores da sociedade carioca do século XIX.
TEMPO
A obra é apoiada em dois tempos. Um é o tempo psicológico, do autor além-túmulo, que, desse modo, pode contar sua vida de maneira arbitrária, com digressões e manipulando os fatos à revelia, sem seguir uma ordem temporal linear. A morte, por exemplo, é contada antes do nascimento e dos fatos da vida.
No tempo cronológico, os acontecimentos obedecem a uma ordem lógica: infância, adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e morte. A estranheza da obra começa pelo título, que sugere as memórias narradas por um defunto. O próprio narrador, no início do livro, ressalta sua condição: trata-se de um defunto-autor, e não de um autor defunto. Isso consiste em afirmar seus méritos não como os de um grande escritor que morreu, mas de um morto que é capaz de escrever.
O pacto de verossimilhança sofre um choque aqui, pois os leitores da época, acostumados com a linearidade das obras (início, meio e fim), veem-se obrigados a situar-se nessa incomum situação.
ENREDO
A infância de Brás Cubas, como a de todo membro da sociedade patriarcal brasileira da época, é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Na escola, Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borbas, que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver.
Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados.
Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação, toma a resolução mais comum para as classes ricas da época: manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra.
Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a universidade. Marcela não vai, como combinara, despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre.
Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho, Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.
Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela um futuro político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não apenas a noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava.
A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a entrada na política era vista como maneira de ascensão social, uma espécie de título de nobreza que ainda faltava a eles.
NÃO-REALIZAÇÕES
O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo que se realize por completo. A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas. Brás Cubas não se casa; não consegue concluir o emplasto, medicamento que imaginara criar para conquistar a glória na sociedade; acaba se tornando deputado, mas seu desempenho é medíocre; e não tem filhos.
A força da obra está justamente nessas não-realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista. É preciso ficar atento para a maneira como os fatos são narrados. Tudo está mediado pela posição de classe do narrador, por sua ideologia. Assim, esse romance poderia ser conceituado como a história dos caprichos da elite brasileira do século XIX e seus desdobramentos, contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um representante.
O que está em jogo é se esses caprichos vão ou não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação ao começar a obra pelo fim ou pelo começo; comparar suas memórias às sagradas escrituras; desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote, chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida repleta de caprichos, em virtude de sua posição de classe, é natural que, ao escrever suas memórias, o livro se componha desse mesmo jeito.
O mais importante não é a realização ou não dessas veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são personagens secundários e trabalham para os grandes. A primeira nasceu para uma vida de sofrimentos: “Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás. Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor, Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada para isso.
Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio. O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua única referência de como lidar com a situação era essa, afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum tipo de dívida nem obrigação a cumprir.
CONCLUSÃO
Machado alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas de nossa sociedade que existem até hoje. Daí o prazer da leitura e a importância de seu texto, pois atualiza, de forma irônica, os processos em que nosso país foi formado, suas contradições e os desmandos que ainda estão presentes.
Ao criar um narrador que resolve contar sua vida depois de morto, Machado de Assis muda radicalmente o panorama da literatura brasileira, além de expor de forma irônica os privilégios da elite da época
Publicado em 1881, o livro aborda as experiências de um filho abastado da elite brasileira do século XIX, Brás Cubas. Começa pela sua morte, descreve a cena do enterro, dos delírios antes de morrer, até retornar a sua infância, quando a narrativa segue de forma mais ou menos linear – interrompida apenas por comentários digressivos do narrador.
NARRADOR
A narração é feita em primeira pessoa e postumamente, ou seja, o narrador se autointitula um defunto-autor – um morto que resolveu escrever suas memórias. Assim, temos toda uma vida contada por alguém que não pertence mais ao mundo terrestre. Com esse procedimento, o narrador consegue ficar além de nosso julgamento terreno e, desse modo, pode contar as memórias da forma como melhor lhe convém.
FOCO NARRATIVO
Com a narração em primeira pessoa, a história é contada partindo de um relato do narrador-observador e protagonista, que conduz o leitor tendo em vista sua visão de mundo, seus sentimentos e o que pensa da vida. Dessa maneira, as memórias de Brás Cubas nos permitirão ter acesso aos bastidores da sociedade carioca do século XIX.
TEMPO
A obra é apoiada em dois tempos. Um é o tempo psicológico, do autor além-túmulo, que, desse modo, pode contar sua vida de maneira arbitrária, com digressões e manipulando os fatos à revelia, sem seguir uma ordem temporal linear. A morte, por exemplo, é contada antes do nascimento e dos fatos da vida.
No tempo cronológico, os acontecimentos obedecem a uma ordem lógica: infância, adolescência, ida para Coimbra, volta ao Brasil e morte. A estranheza da obra começa pelo título, que sugere as memórias narradas por um defunto. O próprio narrador, no início do livro, ressalta sua condição: trata-se de um defunto-autor, e não de um autor defunto. Isso consiste em afirmar seus méritos não como os de um grande escritor que morreu, mas de um morto que é capaz de escrever.
O pacto de verossimilhança sofre um choque aqui, pois os leitores da época, acostumados com a linearidade das obras (início, meio e fim), veem-se obrigados a situar-se nessa incomum situação.
ENREDO
A infância de Brás Cubas, como a de todo membro da sociedade patriarcal brasileira da época, é marcada por privilégios e caprichos patrocinados pelos pais. O garoto tinha como “brinquedo” de estimação o negrinho Prudêncio, que lhe servia de montaria e para maus-tratos em geral. Na escola, Brás era amigo de traquinagem de Quincas Borbas, que aparecerá no futuro defendendo o humanitismo, misto da teoria darwinista com o borbismo: “Aos vencedores, as batatas”, ou seja: só os mais fortes e aptos devem sobreviver.
Na juventude do protagonista, as benesses ficam por conta dos gastos com uma cortesã, ou prostituta de luxo, chamada Marcela, a quem Brás dedica a célebre frase: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. Essa é uma das marcas do estilo machadiano, a maneira como o autor trabalha as figuras de linguagem. Marcela é prostituta de luxo, mas na obra não há, em nenhum momento, a caracterização nesses termos. Machado utiliza a ironia e o eufemismo para que o leitor capte o significado. Brás Cubas não diz, por exemplo, que Marcela só estava interessada nos caros presentes que ele lhe dava. Ao contrário, afirma categoricamente que ela o amou, mas fica claro que, naquela relação, amor e interesse financeiro estão intimamente ligados.
Apaixonado por Marcela, Brás Cubas gasta enormes recursos da família com festas, presentes e toda sorte de frivolidades. Seu pai, para dar um basta à situação, toma a resolução mais comum para as classes ricas da época: manda o filho para a Europa estudar leis e garantir o título de bacharel em Coimbra.
Brás Cubas, no entanto, segue contrariado para a universidade. Marcela não vai, como combinara, despedir-se dele, e a viagem começa triste e lúgubre.
Em Coimbra, a vida não se altera muito. Com o diploma nas mãos e total inaptidão para o trabalho, Brás Cubas retorna ao Brasil e segue sua existência parasitária, gozando dos privilégios dos bem-nascidos do país.
Em certo momento da narrativa, Brás Cubas tem seu segundo e mais duradouro amor. Enamora-se de Virgília, parente de um ministro da corte, aconselhado pelo pai, que via no casamento com ela um futuro político. No entanto, ela acaba se casando com Lobo Neves, que arrebata do protagonista não apenas a noiva como também a candidatura a deputado que o pai preparava.
A família dos Cubas, apesar de rica, não tinha tradição, pois construíra a fortuna com a fabricação de cubas, tachos, à maneira burguesa. Isso não era louvável no mundo das aparências sociais. Assim, a entrada na política era vista como maneira de ascensão social, uma espécie de título de nobreza que ainda faltava a eles.
NÃO-REALIZAÇÕES
O romance não apresenta grandes feitos, não há um acontecimento significativo que se realize por completo. A obra termina, nas palavras do narrador, com um capítulo só de negativas. Brás Cubas não se casa; não consegue concluir o emplasto, medicamento que imaginara criar para conquistar a glória na sociedade; acaba se tornando deputado, mas seu desempenho é medíocre; e não tem filhos.
A força da obra está justamente nessas não-realizações, nesses detalhes. Os leitores ficam sempre à espera do desenlace que a narrativa parece prometer. Ao fim, o que permanece é o vazio da existência do protagonista. É preciso ficar atento para a maneira como os fatos são narrados. Tudo está mediado pela posição de classe do narrador, por sua ideologia. Assim, esse romance poderia ser conceituado como a história dos caprichos da elite brasileira do século XIX e seus desdobramentos, contexto do qual Brás Cubas é, metonimicamente, um representante.
O que está em jogo é se esses caprichos vão ou não ser realizados. Alguns exemplos: a hesitação ao começar a obra pelo fim ou pelo começo; comparar suas memórias às sagradas escrituras; desqualificar o leitor: dar-lhe um piparote, chamá-lo de ébrio; e o próprio fato de escrever após a morte. Se Brás Cubas teve uma vida repleta de caprichos, em virtude de sua posição de classe, é natural que, ao escrever suas memórias, o livro se componha desse mesmo jeito.
O mais importante não é a realização ou não dessas veleidades, mas o direito de tê-las, que está reservado apenas a uns poucos da sociedade da época. Veja-se o exemplo de Dona Plácida e do negro Prudêncio. Ambos são personagens secundários e trabalham para os grandes. A primeira nasceu para uma vida de sofrimentos: “Chamamos-te para queimar os dedos nos tachos, os olhos na costura, comer mal, ou não comer, andar de um lado pro outro, na faina, adoecendo e sarando…”, descreve Brás. Além da vida de trabalhos e doenças e sem nenhum sabor, Dona Plácida serve ainda de álibi para que Brás e Virgília possam concretizar o amor adúltero numa casa alugada para isso.
Com Prudêncio, vê-se como a estrutura social se incorpora ao indivíduo. Ele fora escravo de Brás na infância e sofrera os espancamentos do senhor. Um dia, Brás Cubas o encontra, depois de alforriado, e o vê batendo num negro fugitivo. Depois de breve espanto, Brás pede para que pare com aquilo, no que é prontamente atendido por Prudêncio. O ex-escravo tinha passado a ser dono de escravo e, nessa condição, tratava outro ser humano como um animal. Sua única referência de como lidar com a situação era essa, afinal era o modo como ele próprio havia sido tratado anteriormente. Prudêncio não hesita, porém, em atender ao pedido do ex-dono, com o qual não tinha mais nenhum tipo de dívida nem obrigação a cumprir.
CONCLUSÃO
Machado alia nesse romance profundidade e sutileza, expondo muitos problemas de nossa sociedade que existem até hoje. Daí o prazer da leitura e a importância de seu texto, pois atualiza, de forma irônica, os processos em que nosso país foi formado, suas contradições e os desmandos que ainda estão presentes.
7.29.2011
O MULATO - Aluísio Azevedo (Resumo)
O MULATO - Aluísio Azevedo (Resumo)
Acessando o link abaixo, o leitor tem acesso a leitura sobre a Vida e livros deste importante representante da literatura brasileira.
Principais romances: O Mulato, O Cortiço e Casa de Pensão.
http://www.suapesquisa.com/biografias/aluisiodeazevedo/
Resumo do Livro:
Saindo criança de São Luís para Lisboa, Raimundo viajava órfão de pai, um ex-comerciante português, e afastado da mãe, Domingas, uma ex-escrava do pai.
Depois de anos na Europa, Raimundo volta formado para o Brasil. Passa um ano no Rio e decide regressar a São Luís para rever seu tutor e tio, Manuel Pescada.
Bem recebido pela família do tio, Raimundo desperta logo as atenções de sua prima Ana Rosa que, em dado momento, lhe declara seu amor.
Essa paixão correspondida encontra, todavia, três obstáculos: o do pai, que queria a filha casada com um dos caixeiros da loja; o da avó Maria Bárbara, mulher racista e de maus bofes; o do Cônego Diogo, comensal da casa e adversário natural de Raimundo.
Todos três conheciam as origens negróides de Raimundo. E o Cônego Diogo era o mais empenhado em impedir a ligação, uma vez que fora responsável pela morte do pai do jovem.
Foi assim: depois que Raimundo nasceu, seu pai, José Pedro da Silva, casou-se com Quitéria Inocência de Freitas Santiago, mulher branca. Suspeitando da atenção particular que José Pedro dedicava ao pequeno Raimundo e à escrava Domingas, Quitéria ordena que açoitem a negra e lhe queimem as partes genitais.
Desesperado, José Pedro carrega o filho e leva-o para a casa do irmão, em São Luís. De volta à fazenda, imaginando Quitéria ainda refugiada na casa da mãe, José Pedro ouve vozes em seu quarto. Invadindo-o, o fazendeiro surpreende Quitéria e o então Padre Diogo em pleno adultério.
Desonrado, o pai de Raimundo mata Quitéria, tendo Diogo como testemunha. Graças à culpa do adultério e à culpa do homicídio, forma-se um pacto de cumplicidade entre ambos. Diante de mais essa desgraça, José Pedro abandona a fazenda, retira-se para a casa do irmão e adoece.
Algum tempo depois, já restabelecido, José Pedro resolve voltar à fazenda, mas, no meio do caminho, é tocaiado e morto. Por outro lado, devagarzinho, o Padre Diogo começara a insinuar-se também na casa de Manuel Pescada.
Raimundo ignorava tudo isso.
Em São Luís, já adulto, sua preocupação básica é a de desvendar suas origens e, por isso, insiste com o tio em visitar a fazenda onde nascera. Durante o percurso a São Brás, Raimundo começa a descobrir os primeiros dados sobre suas origens e insiste com o tio para que lhe conceda a mão de Ana Rosa. Depois de várias recusas, Raimundo fica sabendo que o motivo da proibição devia-se à cor de sua pele.
De volta a São Luís, Raimundo muda-se da casa do tio, decide voltar para o Rio, confessa em carta a Ana Rosa seu amor, mas acaba não viajando.
Apesar das proibições, Ana Rosa e ele concertam um plano de fuga. No entanto, a carta principal fora interceptada por um cúmplice do Cônego Diogo, o caixeiro Dias, empregado de Manuel Pescada e forte pretendente, sempre repelido, à mão de Ana Rosa.
Na hora da fuga, os namorados são surpreendidos. Arma-se o escândalo, do qual o cônego é o grande regente. Raimundo retira-se desolado e, ao abrir a porta de casa, um tiro acerta-o pelas costas. Com uma arma que lhe emprestara o Cônego Diogo, o caixeiro Dias assassina o rival.
Ana Rosa aborta.
Entretanto, seis anos depois, vemo-la saindo de uma recepção oficial, de braço com o Sr. Dias e preocupada com os "três filhinhos que ficaram em casa, a dormir".
Aspectos Relevantes
É apontado como a obra inaugural do Naturalismo no Brasil (1881). Podem ser identificados alguns elementos naturalistas:
A CRÍTICA SOCIAL, através da sátira impiedosa dos tipos de São Luís: o comerciante rico e grosseiro, a velha beata e raivosa, o padre relaxado e assassino, e uma série de personagens que resvalam sempre para o imoral e para o grotesco. Já dissemos que esses tipos são, muitas vezes, pessoas que realmente viveram em São Luís, conhecidas pelo autor.
ANTICLERICALISMO, projetado na figura do padre e depois cônego Diogo, devasso, hipócrita e assassino.
OPOSIÇÃO AO PRECONCEITO RACIAL, que é o fulcro de toda a trama.
O ASPECTO SEXUAL, referido expressamente em relação à natureza carnal da paixão de Ana Rosa pelo mulato Raimundo.
O TRIUNFO DO MAL, já que, no desfecho, os crimes ficam impunes e os criminosos são gratificados: a heroína acaba se casando com o assassino de Raimundo (grande amor de sua vida), e o Pe. Diogo, responsável por dois crimes, é promovido a cônego.
Contudo, há fortes resíduos românticos:
Escrito em plena efervescência da Campanha Abolicionista, Aluísio Azevedo não manteve a postura neutra, imparcial, que caracteriza os autores realistas/naturalistas.
Ao contrário, ele toma partido do mulato, do homem de cor, idealizando exageradamente Raimundo, que mais parece o herói dos romances românticos (ingênuo, bondoso, ama platonicamente Ana Rosa e ignora a sua condição de homem de cor).
Observe que Raimundo é cientificamente inverossímel (filho de pai branco e mãe negra retinta, o filho tem "grandes olhos azuis, cabelos pretos e lustrosos, tez morena e amulatada, mas fina").
A trama da narração é romântica e desenvolve o velho chavão romântico da história de amor que as tradições e o preconceito impedem de se realizar. Além disso, a história é verdadeiramente rocambolesca (= complicada, "enrolada").
TEXTO I
Observe, na descrição de Raimundo, a idealização própria dos romancistas românticos, a superioridade absoluta: moral, intelectual e mesmo física:
"Raimundo tinha vinte e seis anos e seria um tipo acabado de brasileiro, se não foram os grandes olhos azuis, que puxara do pai.
Cabelos muito pretos, lustrosos e crespos,, tez morena e amulatada, mas fina,- dentes claros que reluziam sob a negrura do bigode, estatura alta e elegante, pescoço largo, nariz direito e fronte espaçosa.
A parte mais característica de sua fisionomia era os olhos grandes, ramalhudos, cheios de sombras azuís, pestanas eriçadas e negras, pálpebras de um roxo vaporoso e úmido,- as sobrancelhas, muito desenhadas no rosto, como a nanquim, faziam sobressair a frescura da epiderme, que, no lugar da barba raspada, lembrava os tons suaves e transparentes de uma aquarela sobre papel de arroz.
Tinha os gestos bem educados, sóbrios, despidos de pretensão, falava em voz baixa, distintamente, sem armar ao efeito, vestia-se com seriedade e bom gosto; amava os artes, as ciências, a literatura e, um pouco menos, a política."
TEXTO II
Observe no texto abaixo a caracterização dos costumes da província, dos mexericos e do preconceito, manifesto na "fofoca" de que participam D. Bibina, Lindoca, D. Maria do Carmo e Amância Souselas:
"- Ele não é feio... a senhora não ache, D. Bibina ?... segredava Lindoca à outra sobrinha de D. Maria do Carmo, olhando furtivamente para o lado de Raimundo.
- Quem? O primo d’Ana Rosa?
- Primo? Eu creio que ele não é primo, dona !
- É! sustentou Bibina, quase com arrelie. É primo sim, por parte de pai !...
Por outro lado, María do Carmo segredava a Amâncla Souselas:
- Pois é o que lhe digo, D. Amáncía: muito boa preta!... negra como este vestido! Cá está quem a conheceu!...
E batia no seu peito sem seios. - Muita vez a vi no relho. Iche !
- Ora quem houvera de dizer!... resmungou a outro, fingindo ignorar da existência de Domingas, para ouvir mais. Uma coisa assim só no Maranhão! Credo!"
TEXTO III
Observe a nitidez com que o autor retrata o ambiente da cidade (descrição de São Luiz):
"Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor.
Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam, os vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes, as paredes tinham reverberações de prata polida; os folhas das árvores nem se mexiam; os carroças d’água passavam ruidosamente a todo o instante, abalando os prédios, e os aguadeiros, em mangas de camisa e pernas arregaçados, invadiam sem cerimônia as casas para encher as banheiras e os potes.
Em certos pontos não se encontra vã viva alma no rua; tudo estava concentrado, adormecido; só os pretos faziam as compras para o jantar ou andavam no ganho."
Por: Olhar Literário
Fonte:
http://www.mundovestibular.com.br/
Acessando o link abaixo, o leitor tem acesso a leitura sobre a Vida e livros deste importante representante da literatura brasileira.
Principais romances: O Mulato, O Cortiço e Casa de Pensão.
http://www.suapesquisa.com/biografias/aluisiodeazevedo/
Resumo do Livro:
Saindo criança de São Luís para Lisboa, Raimundo viajava órfão de pai, um ex-comerciante português, e afastado da mãe, Domingas, uma ex-escrava do pai.
Depois de anos na Europa, Raimundo volta formado para o Brasil. Passa um ano no Rio e decide regressar a São Luís para rever seu tutor e tio, Manuel Pescada.
Bem recebido pela família do tio, Raimundo desperta logo as atenções de sua prima Ana Rosa que, em dado momento, lhe declara seu amor.
Essa paixão correspondida encontra, todavia, três obstáculos: o do pai, que queria a filha casada com um dos caixeiros da loja; o da avó Maria Bárbara, mulher racista e de maus bofes; o do Cônego Diogo, comensal da casa e adversário natural de Raimundo.
Todos três conheciam as origens negróides de Raimundo. E o Cônego Diogo era o mais empenhado em impedir a ligação, uma vez que fora responsável pela morte do pai do jovem.
Foi assim: depois que Raimundo nasceu, seu pai, José Pedro da Silva, casou-se com Quitéria Inocência de Freitas Santiago, mulher branca. Suspeitando da atenção particular que José Pedro dedicava ao pequeno Raimundo e à escrava Domingas, Quitéria ordena que açoitem a negra e lhe queimem as partes genitais.
Desesperado, José Pedro carrega o filho e leva-o para a casa do irmão, em São Luís. De volta à fazenda, imaginando Quitéria ainda refugiada na casa da mãe, José Pedro ouve vozes em seu quarto. Invadindo-o, o fazendeiro surpreende Quitéria e o então Padre Diogo em pleno adultério.
Desonrado, o pai de Raimundo mata Quitéria, tendo Diogo como testemunha. Graças à culpa do adultério e à culpa do homicídio, forma-se um pacto de cumplicidade entre ambos. Diante de mais essa desgraça, José Pedro abandona a fazenda, retira-se para a casa do irmão e adoece.
Algum tempo depois, já restabelecido, José Pedro resolve voltar à fazenda, mas, no meio do caminho, é tocaiado e morto. Por outro lado, devagarzinho, o Padre Diogo começara a insinuar-se também na casa de Manuel Pescada.
Raimundo ignorava tudo isso.
Em São Luís, já adulto, sua preocupação básica é a de desvendar suas origens e, por isso, insiste com o tio em visitar a fazenda onde nascera. Durante o percurso a São Brás, Raimundo começa a descobrir os primeiros dados sobre suas origens e insiste com o tio para que lhe conceda a mão de Ana Rosa. Depois de várias recusas, Raimundo fica sabendo que o motivo da proibição devia-se à cor de sua pele.
De volta a São Luís, Raimundo muda-se da casa do tio, decide voltar para o Rio, confessa em carta a Ana Rosa seu amor, mas acaba não viajando.
Apesar das proibições, Ana Rosa e ele concertam um plano de fuga. No entanto, a carta principal fora interceptada por um cúmplice do Cônego Diogo, o caixeiro Dias, empregado de Manuel Pescada e forte pretendente, sempre repelido, à mão de Ana Rosa.
Na hora da fuga, os namorados são surpreendidos. Arma-se o escândalo, do qual o cônego é o grande regente. Raimundo retira-se desolado e, ao abrir a porta de casa, um tiro acerta-o pelas costas. Com uma arma que lhe emprestara o Cônego Diogo, o caixeiro Dias assassina o rival.
Ana Rosa aborta.
Entretanto, seis anos depois, vemo-la saindo de uma recepção oficial, de braço com o Sr. Dias e preocupada com os "três filhinhos que ficaram em casa, a dormir".
Aspectos Relevantes
É apontado como a obra inaugural do Naturalismo no Brasil (1881). Podem ser identificados alguns elementos naturalistas:
A CRÍTICA SOCIAL, através da sátira impiedosa dos tipos de São Luís: o comerciante rico e grosseiro, a velha beata e raivosa, o padre relaxado e assassino, e uma série de personagens que resvalam sempre para o imoral e para o grotesco. Já dissemos que esses tipos são, muitas vezes, pessoas que realmente viveram em São Luís, conhecidas pelo autor.
ANTICLERICALISMO, projetado na figura do padre e depois cônego Diogo, devasso, hipócrita e assassino.
OPOSIÇÃO AO PRECONCEITO RACIAL, que é o fulcro de toda a trama.
O ASPECTO SEXUAL, referido expressamente em relação à natureza carnal da paixão de Ana Rosa pelo mulato Raimundo.
O TRIUNFO DO MAL, já que, no desfecho, os crimes ficam impunes e os criminosos são gratificados: a heroína acaba se casando com o assassino de Raimundo (grande amor de sua vida), e o Pe. Diogo, responsável por dois crimes, é promovido a cônego.
Contudo, há fortes resíduos românticos:
Escrito em plena efervescência da Campanha Abolicionista, Aluísio Azevedo não manteve a postura neutra, imparcial, que caracteriza os autores realistas/naturalistas.
Ao contrário, ele toma partido do mulato, do homem de cor, idealizando exageradamente Raimundo, que mais parece o herói dos romances românticos (ingênuo, bondoso, ama platonicamente Ana Rosa e ignora a sua condição de homem de cor).
Observe que Raimundo é cientificamente inverossímel (filho de pai branco e mãe negra retinta, o filho tem "grandes olhos azuis, cabelos pretos e lustrosos, tez morena e amulatada, mas fina").
A trama da narração é romântica e desenvolve o velho chavão romântico da história de amor que as tradições e o preconceito impedem de se realizar. Além disso, a história é verdadeiramente rocambolesca (= complicada, "enrolada").
TEXTO I
Observe, na descrição de Raimundo, a idealização própria dos romancistas românticos, a superioridade absoluta: moral, intelectual e mesmo física:
"Raimundo tinha vinte e seis anos e seria um tipo acabado de brasileiro, se não foram os grandes olhos azuis, que puxara do pai.
Cabelos muito pretos, lustrosos e crespos,, tez morena e amulatada, mas fina,- dentes claros que reluziam sob a negrura do bigode, estatura alta e elegante, pescoço largo, nariz direito e fronte espaçosa.
A parte mais característica de sua fisionomia era os olhos grandes, ramalhudos, cheios de sombras azuís, pestanas eriçadas e negras, pálpebras de um roxo vaporoso e úmido,- as sobrancelhas, muito desenhadas no rosto, como a nanquim, faziam sobressair a frescura da epiderme, que, no lugar da barba raspada, lembrava os tons suaves e transparentes de uma aquarela sobre papel de arroz.
Tinha os gestos bem educados, sóbrios, despidos de pretensão, falava em voz baixa, distintamente, sem armar ao efeito, vestia-se com seriedade e bom gosto; amava os artes, as ciências, a literatura e, um pouco menos, a política."
TEXTO II
Observe no texto abaixo a caracterização dos costumes da província, dos mexericos e do preconceito, manifesto na "fofoca" de que participam D. Bibina, Lindoca, D. Maria do Carmo e Amância Souselas:
"- Ele não é feio... a senhora não ache, D. Bibina ?... segredava Lindoca à outra sobrinha de D. Maria do Carmo, olhando furtivamente para o lado de Raimundo.
- Quem? O primo d’Ana Rosa?
- Primo? Eu creio que ele não é primo, dona !
- É! sustentou Bibina, quase com arrelie. É primo sim, por parte de pai !...
Por outro lado, María do Carmo segredava a Amâncla Souselas:
- Pois é o que lhe digo, D. Amáncía: muito boa preta!... negra como este vestido! Cá está quem a conheceu!...
E batia no seu peito sem seios. - Muita vez a vi no relho. Iche !
- Ora quem houvera de dizer!... resmungou a outro, fingindo ignorar da existência de Domingas, para ouvir mais. Uma coisa assim só no Maranhão! Credo!"
TEXTO III
Observe a nitidez com que o autor retrata o ambiente da cidade (descrição de São Luiz):
"Era um dia abafadiço e aborrecido. A pobre cidade de São Luís do Maranhão parecia entorpecida pelo calor.
Quase que se não podia sair à rua: as pedras escaldavam, os vidraças e os lampiões faiscavam ao sol como enormes diamantes, as paredes tinham reverberações de prata polida; os folhas das árvores nem se mexiam; os carroças d’água passavam ruidosamente a todo o instante, abalando os prédios, e os aguadeiros, em mangas de camisa e pernas arregaçados, invadiam sem cerimônia as casas para encher as banheiras e os potes.
Em certos pontos não se encontra vã viva alma no rua; tudo estava concentrado, adormecido; só os pretos faziam as compras para o jantar ou andavam no ganho."
Por: Olhar Literário
Fonte:
http://www.mundovestibular.com.br/
Os Sertões - Síntese da Obra :Rodolpho José Del Guerra
Os Sertões - Síntese da Obra
Rodolpho José Del Guerra
O livro Os Sertões, quase todo escrito em São José do Rio Pardo (pelo menos 75%), foi, no dizer de Euclides da Cunha, "escrito nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante".
É uma obra difícil: vocabulário incomum, assuntos áridos, temas científicos, necessitando-se do dicionário e de bibliografia paralela. A cada leitura de Os Sertões, descobrimos coisas novas, que passaram despercebidas na análise anterior.
N'Os Sertões, Euclides se mostra como cientista e artista; o cientista é o engenheiro, o bacharel em matemática, ciências físicas e naturais; o artista é o poeta, o sonhador, o estudioso sensível, "que se lançou à Escola da Praia-Vermelha". Como cientista, ele nos informa com a precisão de um sábio versátil; como artista, ele nos convence e nos encanta com suas palavras transformadas em cores, formas, movimentos, sentimentos...
Este resumo tem a finalidade de preparar o pequeno aluno e o iniciante estudioso de Euclides para a leitura da grande obra, dividida em três partes: A Terra, O Homem, A Luta.
I. A TERRA
Aqui, vejo Euclides como um diretor de teatro, verificando o grande palco, para apresentar sua peça brasileira. O palco é o sertão da Bahia. Localiza-o e preocupa-se com todos os detalhes do cenário, em constante mutação, com córregos e rios que secam ou transbordam; com tempestades que se formam em paraíso, dando lugar à flora tropical... Analisa todos os detalhes antes de fazer entrar em cena muitos personagens diferentes, e os soldados das quatro expedições para se iniciar a luta.
E começa o espetáculo, apresentando o planalto central nesta primeira parte do livro, com seus diferentes relevos: no sul litorâneo, as maiores altitudes; em Minas Gerais, as montanhas mais altas entram pelo interior e, caminhando para o norte, na Bahia, o aplainamento geral. Nesta região, está o sertão, com uma ondulação de montanhas baixas, limitado pelo rio São Francisco ao norte e ocidente e, ao sul, pelo rio Itapicuru.
Desconhecido e sempre evitado, esse sertão tem um solo seco, sem umidade, estéril, queimado pelas secas e um clima hostil. Euclides escreve: "(...) tem a impressão persistente de calcar o fundo recém-sublevado de um mar extinto".
Alguns rios que o cortam transbordam nas chuvas e somem nas secas, deixando, de longe em longe, algumas poças de água no seu leito. O mais importante deles é o Vaza-Barris que, numa de suas curvas, banha Canudos, rodeada de montanhas.
O clima do sertão é instável: dias tórridos e noites geladas. O ar é seco e essa secura foi descrita em "Higrômetros singulares". Num trabalho de 1974, a professora Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva escreveu: "(...) os cadáveres de um soldado e de um cavalo, mortos na peleja, depois de três meses estavam ainda em perfeito estado, apenas ressequidos como múmias".
As secas são cíclicas e assolam a região. Dizem os caboclos que se as chuvas não vierem de 12 de dezembro a 19 de março, haverá seca o ano todo.
A travessia da caatinga, com sua vegetação resistente, com suas árvores sem folhas, com espinhos e "os gravetos estalados em lanças", é "mais exaustiva que a de uma estepe nua". Na caatinga estão os cajuís, macambiras, caroás, favelas, juazeiros, xiquexiques..., sendo algumas dessas plantas reservatórios de água.
Quando vem a tormenta, o sertão se transforma em paraíso: ressurge a flora, com seu verde, suas flores exuberantes à beira das cacimbas. Ressurge a fauna: catitus, queixadas, emas, seriemas, sericóias, suçuaranas...
No final da primeira parte, Euclides comenta que os sertões do norte não se enquadram em apenas uma categoria geográfica do filósofo alemão Hegel, ou seja: no verão, vestem-se de "estepes de vegetação tolhiça, ou vastas planícies áridas"; no inverno, com as chuvas, transformam-se em "vales férteis, profusamente irrigados". No sertão, as duas categorias se apresentam numa mesma estação.
No capítulo "Como se faz um deserto", o autor cita o homem assumindo "em todo o decorrer da história, o papel de um terrível fazedor de desertos", através do fogo, das queimadas. E apresenta a solução: açudes, que aumentarão a evaporação e as chuvas, como fizeram os romanos em Cartago.
II. O HOMEM
Nesta segunda parte, os personagens entram em cena: jagunços, sertanejos, o Conselheiro..., isolados há séculos no sertão, o que provocou sua estagnação cultural.
Levados pelo texto, adentramos Canudos e, com a multidão, vamos participar de suas tradições, danças, desafios, e da sua religião mestiça.
Euclides da Cunha estuda a gênese, a formação do brasileiro, resultante dos cruzamentos entre o indígena, o negro e o português. Desta mistura, por muitos motivos, não resulta um tipo étnico único para o Brasil: "(...) não temos unidade de raça".
Historicamente, os cruzamentos entre portugueses e negros se realizaram no litoral, porque o negro vinha para o trabalho escravo nos canaviais da costa brasileira. Entre portugueses e índios, realizaram-se no sertão, pois os gentios se refugiavam no agreste do interior, avessos ao trabalho por razões culturais.
Para o estudo da formação étnica do sertanejo, Euclides estuda o povoamento das regiões banhadas pelo rio São Francisco. O sul foi povoado pelos bandeirantes; a região média, pelos vaqueiros, e no norte seco, pelas missões jesuíticas.
As cidades que margeiam o sertão de Canudos são originárias de missões e aldeamento de índios, como atestam seus nomes: Panibu, Patamoté, Uauá, Bendegó, Cumbe, Jeremoabo... Seus habitantes resultam de cruzamentos, com predominância do índio sobre o branco e sobre o negro.
Isolados pelo deserto, sua mestiçagem foi uniforme. Embora a mistura de raças diferentes seja prejudicial, os sertanejos formaram uma raça forte.
O isolamento de um povo fortalece a espécie, mas é fator determinante da estagnação, provocando o atraso, o conservadorismo, a igualdade de pensar, de sentir, de agir... O isolamento torna-se retrógrado, mas não degenerado.
(Abro parênteses para esclarecer que não só Euclides foi criticado por erros como os que se seguem: os males do cruzamento, os esmagamento total das raças fracas... Outros autores o foram. Euclides se baseava na teoria racial do final do século XIX, que afirmava ser a raça branca sinônimo de progresso, condenando a miscigenação...)
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços do litoral. A sua aparência, entretanto, (...) revela o contrário. (...) É desengonçado, torto. (...) Reflete a preguiça invencível, (...). Basta o aparecimento de qualquer incidente (...) transfigura-se. (...) reponta (...) um titã acobreado e potente (...) de força e agilidade extraordinárias." Veste-se de couro, protegendo-se dos espinhos da caatinga. É vaqueiro. Sua cultura respeita antiquíssimas tradições. Torna-se um retirante, impulso pela seca cíclica, mas retorna sempre ao sertão.
Sua religião, como ele, é mestiça. O catolicismo atrasado se mistura aos candomblés do índio e do negro e se enche de superstições, crendices e temores medievais, conservados pelo isolamento, desde a colonização. Ele é crédulo, supersticioso, e esse deixa influenciar por padres, pastores e falsos profetas...
Neste ambiente, surgiu Antônio Conselheiro, que absorveu as crenças do seu meio. Fixou-se em Canudos com seus seguidores, que acreditavam na certeza de ir para o céu se mortos em combate, defendendo uma causa sagrada.
O Conselheiro, Antônio Vicente Mendes Maciel, nasceu em Quixeramobim, no Ceará. Trabalhou com o pai comerciante, que morreu ao se desentender com os Araújos, seus inimigos. Depois dos casamentos das irmãs, ele se casou logo se desiludiu com a traição da companheira. Envergonhado, mudou-se, sem se fixar: Sobral, Campo Grande, trabalhando como caixeiro e escrivão de juiz. Em Ipu, fugiu-lhe a mulher, acompanhando um soldado. Em Paus Brancos, alucinado, feriu um seu parente que o hospedara...
Desapareceu. "Morrera por assim dizer".
Reapareceu dez anos depois, nos sertões de Pernambuco e em Itabaiana (SE), em l874, impressionando os sertanejos: alto e magro, barba e cabelos desgrenhados e longos, túnica de brim americano azul, com uma corda na cintura, sandálias, alforje e chapéu de couro, ele pregava nos povoados uma doutrina confusa, que se misturava às rezas de dois catecismos que carregava "Missão Abreviada" e "Horas Marianas". Pregava o fim do mundo, a preparação para a morte, a penitência... A multidão o seguia, sem que ele a convocasse. Fazia prédicas e profecias, casamentos e batizados, reconstruía igrejas, muros de cemitérios... O clero o tolerava e procurava, deixando-o pregar, até mesmo contra a República, que interveio em áreas regidas pela tradição e reservadas à religião. Como aumentasse seu ataque, a Igreja tentou interrompê-lo.
Em Bom Conselho, reuniu o povo num dia de feira e queimou as tábuas dos impostos, discordando das leis republicanas do governo de Satanás. O acontecimento repercutiu e a polícia reagiu. Perseguido, o Conselheiro tomou a estrada de Monte Santo, defrontando-se com a tropa em Maceté. Os 30 praças armados atacaram. Os jagunços os desbarataram.
O Conselheiro - conhecedor do sertão - e seus seguidores tomaram o rumo do norte. Chegaram a Canudos, em 1893, uma fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris. "Era o lugar sagrado, cingido de montanhas, onde não penetraria a ação do governo maldito"(...) "O arraial crescia vertiginosamente, coalhando as colinas", sem ordem, sem ruas: um verdadeiro labirinto, com casa de pau-a-pique, habitadas por um população multiforme, de sertanejos simples, beatas, ricos proprietários que abandonavam tudo em busca da salvação e por bandidos ali protegidos, que respeitavam as regras: rezar e fazer sacrifícios para alcançar a vida eterna. A igreja, uma fortaleza, a mais importante obra do Conselheiro, estava diante da praça. Euclides descreveu a lei mantida por facínoras, as rezas, os sermões, as danças, o dia-a-dia do aglomerado e os tipos fascinantes dos heróis: João Abade, Pajeú, João Grande, Vila Nova, Chico Taramela, Macambira, Beatinho...
Antônio Conselheiro pregava contra a República, contra o governo do Anti-Cristo e da lei do cão. "Mas não traduzia o mais pálido intento político". Os jagunços, "rudes patrícios mais estrangeiros nesta terra do que os imigrantes da Europa", não conseguiam diferenciar a República da Monarquia.
(Abro aqui um novo parêntese: algumas mudanças da nova ordem respingavam no sertão: separação Igreja-Estado, obrigatoriedade do casamento civil, cobrança de impostos pelos Estados...: coisas incompreensíveis pelos sertanejos).
E o povo versejava e cantava;
"Casamento vão fazendo/ Só pro povo iludir/ Vão casar o povo todo/ No casamento civil".
"Visita nos vem fazer/ Nosso rei D. Sebastião/ Coitado daquele pobre/ Que estiver na lei do cão".
"Eram realmente, fragílimos, aqueles pobres rebelados..."
"Requeriam outra reação. Obrigavam-nos a outra luta."
"Entretanto enviamos-lhes (...) a bala".
III. A LUTA
Os caminhos e montanhas que volteavam Canudos estavam fortificados.
O Conselheiro reinava naquela comunidade, dormindo sobre tábuas, pregando, alimentando-se com farinha...
Em outubro de 1896, o juiz de Juazeiro (BA) recusou-se a entregar a madeira encomendada para a construção da igreja nova de Canudos. O Conselheiro ameaçou invadir a cidade. Foi pedido reforço ao governo.
1ª Expedição. Em novembro de 1896, foi enviada um pequena expedição, com 104 soldados, comandados pelo Ten. Pires Ferreira. Dia 21, os jagunços os encontraram em Uauá. A tropa retrocedeu, atacada com facões, bacamartes e aguilhões de vaqueiro, e apavorada com os gritos e vivas dos conselheiristas.
Foi o prelúdio da guerra sertaneja.
2ª Expedição. o major Febrônio de Brito comandou essa expedição, com 543 soldados, 14 oficiais e 3 médicos, saindo de Monte Santo, em 12 de janeiro de 1897. Sem conhecer a guerra nas caatingas, a tropa foi inesperadamente atacada na estrada que atravessa a Serra do Cambaio. O sertanejo atraía os soldados para a caatinga, que os feria, exaurindo-os. A munição acabava, obrigando a tropa a voltar a Monte Santo. Apesar de 415 jagunços mortos, este segundo insucesso militar provocou impacto nacional.
3ª Expedição. Partiu do Rio de Janeiro, com 1.300 homens, em 3 de fevereiro de 1897, comandada pelo Cel. Moreira César. Dia 2 de março, sem um plano tático, a tropa entrou e atacou o arraial, perdendo-se naquele labirinto. Moreira César foi mortalmente ferido, com duas balas, morrendo no dia seguinte. Foi substituído pelo Coronel Pedro Nunes Tamarindo. A tropa fragmentou-se, dispersou-se, debandou em pânico, desfazendo-se de armas e munições, recolhidas pelos jagunços. O corpo de Moreira César foi jogado no caminho. Quando atravessava o córrego de Angico, querendo conter seus homens, o Cel. Tamarindo foi morto. Morreu, também, o comandante, Cap. José Agostinho Salomão da Rocha. Comoção nacional. "A República estava em perigo".
4ª Expedição. Sob o comando do General Artur Oscar, organizaram-se em 5 de abril de 1897, as forças dessa expedição; 4 brigadas em 2 colunas, com 4.283 soldados. Com roteiros diferentes, as duas colunas encontrar-se-iam em Canudos.
A 2ª coluna, comandada pelo general Cláudio do Amaral Savaget, com 2.350 homens, partiu de Jeremoabo (SE), em 16 de junho, chegando a Canudos pela Serra de Cocorobó ao norte, onde venceu os jagunços.
A 1ª coluna, comandada pelo general Artur Oscar Andrade Guimarães, seguiu pelas estradas de sempre, partindo de Monte Santo (BA) , em 19 de junho, com 1.933 soldados. foi atacada no Morro da Favela. Depois de insucessos e ataques juntou-se à 2ª coluna.
Os sertanejos foram encurralados em Canudos, resistindo à superioridade de homens e armamentos, sob os tiros da matadeira (canhão) e de dinamites.
Faltaram víveres aos soldados. Para alimentá-los muitas rezes e cavalos foram mortos na região. Logo o Ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, os abasteceu.
Completou-se o cerco de Canudos, com jagunços enfrentando fome e sede, bombardeios e incêndios.
Dia 22 de setembro de 1897, uma disenteria quase dizimou os fiéis, matando Antônio Conselheiro. Os sobreviventes defendiam a Aldeia Sagrada.
Caiu Canudos, em 5 de outubro de 1897, "ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados. (...) No dia 6 acabaram de destruir desmanchando-lhes as casas, 5.200, cuidadosamente contadas. (...)"
"Antes, no amanhecer daquele dia, comissão adrede escolhida descobrira o cadáver de Antônio Conselheiro. (...) Desenterraram-no cuidadosamente. Dádiva preciosa (...)! Fotografaram-no depois. (...)". Cortaram-lhe a cabeça. "Trouxeram depois para o litoral, onde deliravam multidões em festa, aquele crânio. (...) Ali estavam (...) as linhas essenciais do crime e da loucura..."
Leia "Os Sertões" on line!
http://www.culturabrasil.org/sintesedeosertoes.htm
Rodolpho José Del Guerra
O livro Os Sertões, quase todo escrito em São José do Rio Pardo (pelo menos 75%), foi, no dizer de Euclides da Cunha, "escrito nos raros intervalos de folga de uma carreira fatigante".
É uma obra difícil: vocabulário incomum, assuntos áridos, temas científicos, necessitando-se do dicionário e de bibliografia paralela. A cada leitura de Os Sertões, descobrimos coisas novas, que passaram despercebidas na análise anterior.
N'Os Sertões, Euclides se mostra como cientista e artista; o cientista é o engenheiro, o bacharel em matemática, ciências físicas e naturais; o artista é o poeta, o sonhador, o estudioso sensível, "que se lançou à Escola da Praia-Vermelha". Como cientista, ele nos informa com a precisão de um sábio versátil; como artista, ele nos convence e nos encanta com suas palavras transformadas em cores, formas, movimentos, sentimentos...
Este resumo tem a finalidade de preparar o pequeno aluno e o iniciante estudioso de Euclides para a leitura da grande obra, dividida em três partes: A Terra, O Homem, A Luta.
I. A TERRA
Aqui, vejo Euclides como um diretor de teatro, verificando o grande palco, para apresentar sua peça brasileira. O palco é o sertão da Bahia. Localiza-o e preocupa-se com todos os detalhes do cenário, em constante mutação, com córregos e rios que secam ou transbordam; com tempestades que se formam em paraíso, dando lugar à flora tropical... Analisa todos os detalhes antes de fazer entrar em cena muitos personagens diferentes, e os soldados das quatro expedições para se iniciar a luta.
E começa o espetáculo, apresentando o planalto central nesta primeira parte do livro, com seus diferentes relevos: no sul litorâneo, as maiores altitudes; em Minas Gerais, as montanhas mais altas entram pelo interior e, caminhando para o norte, na Bahia, o aplainamento geral. Nesta região, está o sertão, com uma ondulação de montanhas baixas, limitado pelo rio São Francisco ao norte e ocidente e, ao sul, pelo rio Itapicuru.
Desconhecido e sempre evitado, esse sertão tem um solo seco, sem umidade, estéril, queimado pelas secas e um clima hostil. Euclides escreve: "(...) tem a impressão persistente de calcar o fundo recém-sublevado de um mar extinto".
Alguns rios que o cortam transbordam nas chuvas e somem nas secas, deixando, de longe em longe, algumas poças de água no seu leito. O mais importante deles é o Vaza-Barris que, numa de suas curvas, banha Canudos, rodeada de montanhas.
O clima do sertão é instável: dias tórridos e noites geladas. O ar é seco e essa secura foi descrita em "Higrômetros singulares". Num trabalho de 1974, a professora Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva escreveu: "(...) os cadáveres de um soldado e de um cavalo, mortos na peleja, depois de três meses estavam ainda em perfeito estado, apenas ressequidos como múmias".
As secas são cíclicas e assolam a região. Dizem os caboclos que se as chuvas não vierem de 12 de dezembro a 19 de março, haverá seca o ano todo.
A travessia da caatinga, com sua vegetação resistente, com suas árvores sem folhas, com espinhos e "os gravetos estalados em lanças", é "mais exaustiva que a de uma estepe nua". Na caatinga estão os cajuís, macambiras, caroás, favelas, juazeiros, xiquexiques..., sendo algumas dessas plantas reservatórios de água.
Quando vem a tormenta, o sertão se transforma em paraíso: ressurge a flora, com seu verde, suas flores exuberantes à beira das cacimbas. Ressurge a fauna: catitus, queixadas, emas, seriemas, sericóias, suçuaranas...
No final da primeira parte, Euclides comenta que os sertões do norte não se enquadram em apenas uma categoria geográfica do filósofo alemão Hegel, ou seja: no verão, vestem-se de "estepes de vegetação tolhiça, ou vastas planícies áridas"; no inverno, com as chuvas, transformam-se em "vales férteis, profusamente irrigados". No sertão, as duas categorias se apresentam numa mesma estação.
No capítulo "Como se faz um deserto", o autor cita o homem assumindo "em todo o decorrer da história, o papel de um terrível fazedor de desertos", através do fogo, das queimadas. E apresenta a solução: açudes, que aumentarão a evaporação e as chuvas, como fizeram os romanos em Cartago.
II. O HOMEM
Nesta segunda parte, os personagens entram em cena: jagunços, sertanejos, o Conselheiro..., isolados há séculos no sertão, o que provocou sua estagnação cultural.
Levados pelo texto, adentramos Canudos e, com a multidão, vamos participar de suas tradições, danças, desafios, e da sua religião mestiça.
Euclides da Cunha estuda a gênese, a formação do brasileiro, resultante dos cruzamentos entre o indígena, o negro e o português. Desta mistura, por muitos motivos, não resulta um tipo étnico único para o Brasil: "(...) não temos unidade de raça".
Historicamente, os cruzamentos entre portugueses e negros se realizaram no litoral, porque o negro vinha para o trabalho escravo nos canaviais da costa brasileira. Entre portugueses e índios, realizaram-se no sertão, pois os gentios se refugiavam no agreste do interior, avessos ao trabalho por razões culturais.
Para o estudo da formação étnica do sertanejo, Euclides estuda o povoamento das regiões banhadas pelo rio São Francisco. O sul foi povoado pelos bandeirantes; a região média, pelos vaqueiros, e no norte seco, pelas missões jesuíticas.
As cidades que margeiam o sertão de Canudos são originárias de missões e aldeamento de índios, como atestam seus nomes: Panibu, Patamoté, Uauá, Bendegó, Cumbe, Jeremoabo... Seus habitantes resultam de cruzamentos, com predominância do índio sobre o branco e sobre o negro.
Isolados pelo deserto, sua mestiçagem foi uniforme. Embora a mistura de raças diferentes seja prejudicial, os sertanejos formaram uma raça forte.
O isolamento de um povo fortalece a espécie, mas é fator determinante da estagnação, provocando o atraso, o conservadorismo, a igualdade de pensar, de sentir, de agir... O isolamento torna-se retrógrado, mas não degenerado.
(Abro parênteses para esclarecer que não só Euclides foi criticado por erros como os que se seguem: os males do cruzamento, os esmagamento total das raças fracas... Outros autores o foram. Euclides se baseava na teoria racial do final do século XIX, que afirmava ser a raça branca sinônimo de progresso, condenando a miscigenação...)
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. Não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços do litoral. A sua aparência, entretanto, (...) revela o contrário. (...) É desengonçado, torto. (...) Reflete a preguiça invencível, (...). Basta o aparecimento de qualquer incidente (...) transfigura-se. (...) reponta (...) um titã acobreado e potente (...) de força e agilidade extraordinárias." Veste-se de couro, protegendo-se dos espinhos da caatinga. É vaqueiro. Sua cultura respeita antiquíssimas tradições. Torna-se um retirante, impulso pela seca cíclica, mas retorna sempre ao sertão.
Sua religião, como ele, é mestiça. O catolicismo atrasado se mistura aos candomblés do índio e do negro e se enche de superstições, crendices e temores medievais, conservados pelo isolamento, desde a colonização. Ele é crédulo, supersticioso, e esse deixa influenciar por padres, pastores e falsos profetas...
Neste ambiente, surgiu Antônio Conselheiro, que absorveu as crenças do seu meio. Fixou-se em Canudos com seus seguidores, que acreditavam na certeza de ir para o céu se mortos em combate, defendendo uma causa sagrada.
O Conselheiro, Antônio Vicente Mendes Maciel, nasceu em Quixeramobim, no Ceará. Trabalhou com o pai comerciante, que morreu ao se desentender com os Araújos, seus inimigos. Depois dos casamentos das irmãs, ele se casou logo se desiludiu com a traição da companheira. Envergonhado, mudou-se, sem se fixar: Sobral, Campo Grande, trabalhando como caixeiro e escrivão de juiz. Em Ipu, fugiu-lhe a mulher, acompanhando um soldado. Em Paus Brancos, alucinado, feriu um seu parente que o hospedara...
Desapareceu. "Morrera por assim dizer".
Reapareceu dez anos depois, nos sertões de Pernambuco e em Itabaiana (SE), em l874, impressionando os sertanejos: alto e magro, barba e cabelos desgrenhados e longos, túnica de brim americano azul, com uma corda na cintura, sandálias, alforje e chapéu de couro, ele pregava nos povoados uma doutrina confusa, que se misturava às rezas de dois catecismos que carregava "Missão Abreviada" e "Horas Marianas". Pregava o fim do mundo, a preparação para a morte, a penitência... A multidão o seguia, sem que ele a convocasse. Fazia prédicas e profecias, casamentos e batizados, reconstruía igrejas, muros de cemitérios... O clero o tolerava e procurava, deixando-o pregar, até mesmo contra a República, que interveio em áreas regidas pela tradição e reservadas à religião. Como aumentasse seu ataque, a Igreja tentou interrompê-lo.
Em Bom Conselho, reuniu o povo num dia de feira e queimou as tábuas dos impostos, discordando das leis republicanas do governo de Satanás. O acontecimento repercutiu e a polícia reagiu. Perseguido, o Conselheiro tomou a estrada de Monte Santo, defrontando-se com a tropa em Maceté. Os 30 praças armados atacaram. Os jagunços os desbarataram.
O Conselheiro - conhecedor do sertão - e seus seguidores tomaram o rumo do norte. Chegaram a Canudos, em 1893, uma fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris. "Era o lugar sagrado, cingido de montanhas, onde não penetraria a ação do governo maldito"(...) "O arraial crescia vertiginosamente, coalhando as colinas", sem ordem, sem ruas: um verdadeiro labirinto, com casa de pau-a-pique, habitadas por um população multiforme, de sertanejos simples, beatas, ricos proprietários que abandonavam tudo em busca da salvação e por bandidos ali protegidos, que respeitavam as regras: rezar e fazer sacrifícios para alcançar a vida eterna. A igreja, uma fortaleza, a mais importante obra do Conselheiro, estava diante da praça. Euclides descreveu a lei mantida por facínoras, as rezas, os sermões, as danças, o dia-a-dia do aglomerado e os tipos fascinantes dos heróis: João Abade, Pajeú, João Grande, Vila Nova, Chico Taramela, Macambira, Beatinho...
Antônio Conselheiro pregava contra a República, contra o governo do Anti-Cristo e da lei do cão. "Mas não traduzia o mais pálido intento político". Os jagunços, "rudes patrícios mais estrangeiros nesta terra do que os imigrantes da Europa", não conseguiam diferenciar a República da Monarquia.
(Abro aqui um novo parêntese: algumas mudanças da nova ordem respingavam no sertão: separação Igreja-Estado, obrigatoriedade do casamento civil, cobrança de impostos pelos Estados...: coisas incompreensíveis pelos sertanejos).
E o povo versejava e cantava;
"Casamento vão fazendo/ Só pro povo iludir/ Vão casar o povo todo/ No casamento civil".
"Visita nos vem fazer/ Nosso rei D. Sebastião/ Coitado daquele pobre/ Que estiver na lei do cão".
"Eram realmente, fragílimos, aqueles pobres rebelados..."
"Requeriam outra reação. Obrigavam-nos a outra luta."
"Entretanto enviamos-lhes (...) a bala".
III. A LUTA
Os caminhos e montanhas que volteavam Canudos estavam fortificados.
O Conselheiro reinava naquela comunidade, dormindo sobre tábuas, pregando, alimentando-se com farinha...
Em outubro de 1896, o juiz de Juazeiro (BA) recusou-se a entregar a madeira encomendada para a construção da igreja nova de Canudos. O Conselheiro ameaçou invadir a cidade. Foi pedido reforço ao governo.
1ª Expedição. Em novembro de 1896, foi enviada um pequena expedição, com 104 soldados, comandados pelo Ten. Pires Ferreira. Dia 21, os jagunços os encontraram em Uauá. A tropa retrocedeu, atacada com facões, bacamartes e aguilhões de vaqueiro, e apavorada com os gritos e vivas dos conselheiristas.
Foi o prelúdio da guerra sertaneja.
2ª Expedição. o major Febrônio de Brito comandou essa expedição, com 543 soldados, 14 oficiais e 3 médicos, saindo de Monte Santo, em 12 de janeiro de 1897. Sem conhecer a guerra nas caatingas, a tropa foi inesperadamente atacada na estrada que atravessa a Serra do Cambaio. O sertanejo atraía os soldados para a caatinga, que os feria, exaurindo-os. A munição acabava, obrigando a tropa a voltar a Monte Santo. Apesar de 415 jagunços mortos, este segundo insucesso militar provocou impacto nacional.
3ª Expedição. Partiu do Rio de Janeiro, com 1.300 homens, em 3 de fevereiro de 1897, comandada pelo Cel. Moreira César. Dia 2 de março, sem um plano tático, a tropa entrou e atacou o arraial, perdendo-se naquele labirinto. Moreira César foi mortalmente ferido, com duas balas, morrendo no dia seguinte. Foi substituído pelo Coronel Pedro Nunes Tamarindo. A tropa fragmentou-se, dispersou-se, debandou em pânico, desfazendo-se de armas e munições, recolhidas pelos jagunços. O corpo de Moreira César foi jogado no caminho. Quando atravessava o córrego de Angico, querendo conter seus homens, o Cel. Tamarindo foi morto. Morreu, também, o comandante, Cap. José Agostinho Salomão da Rocha. Comoção nacional. "A República estava em perigo".
4ª Expedição. Sob o comando do General Artur Oscar, organizaram-se em 5 de abril de 1897, as forças dessa expedição; 4 brigadas em 2 colunas, com 4.283 soldados. Com roteiros diferentes, as duas colunas encontrar-se-iam em Canudos.
A 2ª coluna, comandada pelo general Cláudio do Amaral Savaget, com 2.350 homens, partiu de Jeremoabo (SE), em 16 de junho, chegando a Canudos pela Serra de Cocorobó ao norte, onde venceu os jagunços.
A 1ª coluna, comandada pelo general Artur Oscar Andrade Guimarães, seguiu pelas estradas de sempre, partindo de Monte Santo (BA) , em 19 de junho, com 1.933 soldados. foi atacada no Morro da Favela. Depois de insucessos e ataques juntou-se à 2ª coluna.
Os sertanejos foram encurralados em Canudos, resistindo à superioridade de homens e armamentos, sob os tiros da matadeira (canhão) e de dinamites.
Faltaram víveres aos soldados. Para alimentá-los muitas rezes e cavalos foram mortos na região. Logo o Ministro da Guerra, Carlos Machado Bittencourt, os abasteceu.
Completou-se o cerco de Canudos, com jagunços enfrentando fome e sede, bombardeios e incêndios.
Dia 22 de setembro de 1897, uma disenteria quase dizimou os fiéis, matando Antônio Conselheiro. Os sobreviventes defendiam a Aldeia Sagrada.
Caiu Canudos, em 5 de outubro de 1897, "ao entardecer, quando caíram seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados. (...) No dia 6 acabaram de destruir desmanchando-lhes as casas, 5.200, cuidadosamente contadas. (...)"
"Antes, no amanhecer daquele dia, comissão adrede escolhida descobrira o cadáver de Antônio Conselheiro. (...) Desenterraram-no cuidadosamente. Dádiva preciosa (...)! Fotografaram-no depois. (...)". Cortaram-lhe a cabeça. "Trouxeram depois para o litoral, onde deliravam multidões em festa, aquele crânio. (...) Ali estavam (...) as linhas essenciais do crime e da loucura..."
Leia "Os Sertões" on line!
http://www.culturabrasil.org/sintesedeosertoes.htm
7.27.2011
Inscrições para UFCG começam segunda
Inscrições para UFCG começam segunda
A Comissão de vestibular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), divulgou nesta quarta-feira (27), a data das inscrições para o Vestibular 2012 da UFCG , que começarão a partir da próxima segunda-feira (1º) e vão até o dia 19 de agosto.
De acordo com o professor Vadilson Bueno, da Comissão da UFCG, o candidato poderá entrar na página da UFCG (www.ufcg.edu.br) e acessar o Comprov onde ele conseguirá o manual ao candidato. As inscrições estarão disponíveis exclusivamente pelo site.
A taxa de inscrição para o vestibular custará 15 reais. Os candidatos que pretendem entrar para os cursos de arte e mídia, desing e música, pagam um acréscimo no valor de 10 reais, para pagar a prova de habilitação específica.
O professor lembrou a importância de se inscrever com antecedência para não correr o risco de sobrecarregar o site. De acordo com informações, o último vestibular teve mais de 40 mil candidatos inscritos e o presidente da Comissão de Vestibular, Marcos Gama, espera um aumento significativo para este ano.
Isenção
O professor Vadilson Bueno lembrou que o candidato pode pedir carência sócio-econômica durante a inscrição. Depois disso, o candidato deve procurar o Centro de Formação de Professores do Campus de Cajazeiras ou do Campus mais próximo e apresentar a documentação provando sua carência. Cartões de benefício do Governo Federal são aceitos.
De acordo com ele, a documentação será analisada e se a carência for confirmada a taxa de inscrição desse candidato será banida.
A Comissão de vestibular da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), divulgou nesta quarta-feira (27), a data das inscrições para o Vestibular 2012 da UFCG , que começarão a partir da próxima segunda-feira (1º) e vão até o dia 19 de agosto.
De acordo com o professor Vadilson Bueno, da Comissão da UFCG, o candidato poderá entrar na página da UFCG (www.ufcg.edu.br) e acessar o Comprov onde ele conseguirá o manual ao candidato. As inscrições estarão disponíveis exclusivamente pelo site.
A taxa de inscrição para o vestibular custará 15 reais. Os candidatos que pretendem entrar para os cursos de arte e mídia, desing e música, pagam um acréscimo no valor de 10 reais, para pagar a prova de habilitação específica.
O professor lembrou a importância de se inscrever com antecedência para não correr o risco de sobrecarregar o site. De acordo com informações, o último vestibular teve mais de 40 mil candidatos inscritos e o presidente da Comissão de Vestibular, Marcos Gama, espera um aumento significativo para este ano.
Isenção
O professor Vadilson Bueno lembrou que o candidato pode pedir carência sócio-econômica durante a inscrição. Depois disso, o candidato deve procurar o Centro de Formação de Professores do Campus de Cajazeiras ou do Campus mais próximo e apresentar a documentação provando sua carência. Cartões de benefício do Governo Federal são aceitos.
De acordo com ele, a documentação será analisada e se a carência for confirmada a taxa de inscrição desse candidato será banida.
7.09.2011
Coperve divulga edital
Sexta, 8 de Julho de 2011 - 18h39
Coperve divulga edital; confira:http://www.coperve.ufpb.br/
A Coperve já disponibilizou em seu site o edital do concurso vestibular 2012 da Universidade Federal da Paraíba.
Estão sendo oferecidas 6.500 vagas. As inscrições estão programadas para o período de 9 a 28 de agosto.
Este ano, a UFPB abrirá quatro novos cursos – Cinema e Áudio Visual e Matemática em João Pessoa, Química em Areia e Letras em Mamanguape.
As provas do PSS 2012 serão aplicadas em 20 e 21 de novembro (1ª e 2ª séries, respectivamente) e 18 e 19 de dezembro (3ª série).
A classificação final será divulgada em 25 de janeiro de 2012.
Coperve divulga edital; confira:http://www.coperve.ufpb.br/
A Coperve já disponibilizou em seu site o edital do concurso vestibular 2012 da Universidade Federal da Paraíba.
Estão sendo oferecidas 6.500 vagas. As inscrições estão programadas para o período de 9 a 28 de agosto.
Este ano, a UFPB abrirá quatro novos cursos – Cinema e Áudio Visual e Matemática em João Pessoa, Química em Areia e Letras em Mamanguape.
As provas do PSS 2012 serão aplicadas em 20 e 21 de novembro (1ª e 2ª séries, respectivamente) e 18 e 19 de dezembro (3ª série).
A classificação final será divulgada em 25 de janeiro de 2012.
7.08.2011
Últimas do ENEM
Quinta, 7 de Julho de 2011 - 21h35
Enem terá 5,4 milhões de candidatos; prova em outubro
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá 5,4 milhões de candidatos aptos a realizar a prova neste ano, segundo informou a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Malvina Tuttman. O Inep é o órgão vinculado ao Ministério da Educação responsável pelo exame.
Os dados foram fechados nesta quinta-feira (7) após contabilizados os pagamentos das inscrições. A presidente do Inep não soube precisar o número de 2011 comparado com o do ano passado, mas afirmou que foi superior.
"Esse número superou a expectativa e reafirma a posição de que cada vez mais o Enem se insere no cotidiano da educação brasileira. A resposta foi mais significativa, evidenciando que o instrumento [exame] está se fortalecendo cada vez mais", disse Malvina.
O Enem teve mais de 6,2 milhões de inscrições, segundo informações do MEC. O exame anterior teve 4,6 milhões de inscritos.
Provas
As provas, em 22 e 23 de outubro, serão realizadas em 12 mil locais, 140 mil salas de aula, ocorrendo em 1.599 municípios e mais de 6 mil escolas estão no processo. O Inep já marcou outro Enem para o primeiro semestre do ano que vem, nos dias 28 e 29 de abril de 2012.
O candidato deverá guardar o número da inscrição e a senha. Elas são indispensáveis para todo o processo do Enem, como realização da prova, obtenção dos resultados e participação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona os melhores classificados no Enem para vagas em universidades públicas cadastradas. Também serão usados nos programas de bolsa de estudos (ProUni) e de financiamento estudantil (Fies), entre outros programas do Ministério da Educação.
Provas
O exame tem quatro provas objetivas, cada uma com 45 questões de múltipla escolha e uma redação. As provas vão tratar de quatro áreas de conhecimento do ensino médio:
- ciências humanas e suas tecnologias: história, geografia, filosofia e sociologia;
- ciências da natureza e suas tecnologias: química, física e biologia;
- Linguagens, códigos e suas tecnologias e redação: língua portuguesa, literatura, língua estrangeira (inglês ou espanhol), artes, educação física e tecnologias da informação e comunicação;
- Matemática e suas tecnologias: matemática.
Para a realização das provas o candidato deverá usar somente caneta com tinta esferográfica preta.
Enem terá 5,4 milhões de candidatos; prova em outubro
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) terá 5,4 milhões de candidatos aptos a realizar a prova neste ano, segundo informou a presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Malvina Tuttman. O Inep é o órgão vinculado ao Ministério da Educação responsável pelo exame.
Os dados foram fechados nesta quinta-feira (7) após contabilizados os pagamentos das inscrições. A presidente do Inep não soube precisar o número de 2011 comparado com o do ano passado, mas afirmou que foi superior.
"Esse número superou a expectativa e reafirma a posição de que cada vez mais o Enem se insere no cotidiano da educação brasileira. A resposta foi mais significativa, evidenciando que o instrumento [exame] está se fortalecendo cada vez mais", disse Malvina.
O Enem teve mais de 6,2 milhões de inscrições, segundo informações do MEC. O exame anterior teve 4,6 milhões de inscritos.
Provas
As provas, em 22 e 23 de outubro, serão realizadas em 12 mil locais, 140 mil salas de aula, ocorrendo em 1.599 municípios e mais de 6 mil escolas estão no processo. O Inep já marcou outro Enem para o primeiro semestre do ano que vem, nos dias 28 e 29 de abril de 2012.
O candidato deverá guardar o número da inscrição e a senha. Elas são indispensáveis para todo o processo do Enem, como realização da prova, obtenção dos resultados e participação no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que seleciona os melhores classificados no Enem para vagas em universidades públicas cadastradas. Também serão usados nos programas de bolsa de estudos (ProUni) e de financiamento estudantil (Fies), entre outros programas do Ministério da Educação.
Provas
O exame tem quatro provas objetivas, cada uma com 45 questões de múltipla escolha e uma redação. As provas vão tratar de quatro áreas de conhecimento do ensino médio:
- ciências humanas e suas tecnologias: história, geografia, filosofia e sociologia;
- ciências da natureza e suas tecnologias: química, física e biologia;
- Linguagens, códigos e suas tecnologias e redação: língua portuguesa, literatura, língua estrangeira (inglês ou espanhol), artes, educação física e tecnologias da informação e comunicação;
- Matemática e suas tecnologias: matemática.
Para a realização das provas o candidato deverá usar somente caneta com tinta esferográfica preta.
7.07.2011
O desafio de ensinar a língua para todos
O desafio de ensinar a língua para todos
A polêmica sobre o "falar popular" revela a necessidade de dialogar com os alunos não familiarizados com a norma-padrão
Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)
Página 1 2
Mais sobre comunicação oral
ARTIGO
A batalha da língua na guerra das culturas, por Maria Alice Setubal
REPORTAGEM
Falar bem em público se aprende na escola
VÍDEOS
As variantes linguísticas
Exposição "Menas" no Museu da Língua Portuguesa
PLANO DE AULA
Do oral ao escrito
- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.
É óbvio: o célebre poema O Capoeira, de Oswald de Andrade (1890-1954), está quase integralmente em desacordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. Isso não impede, entretanto, que Pau Brasil, o livro de 1925 em que o texto está incluído, seja estudado nas escolas e frequente as listas de leitura obrigatória das mais concorridas universidades do país.
Do regionalismo de Jorge Amado à prosa contemporânea da literatura marginal, passando pelo modernismo de Mário de Andrade e Guimarães Rosa, refletir sobre as variedades populares da língua, típicas da fala, tem sido uma maneira eficaz de levar os alunos a compreender as formas de expressão de diferentes grupos sociais, a diversidade linguística de nosso país e a constatação de que a língua é dinâmica e se reinventa dia a dia.
A discussão, porém, tomou um caminho diferente no caso do livro Por Uma Vida Melhor, volume de Língua Portuguesa destinado às séries finais na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Um excerto do capítulo "Escrever É Diferente de Falar" foi entendido como uma defesa do "falar errado". Muitas pessoas expressaram o temor de que isso representasse uma tentativa de desqualificar o ensino das regras gramaticais e ortográficas que regem a Língua Portuguesa. De fato, não se pode discutir que o papel da escola é (e deve continuar sendo) ensinar a norma culta da língua.
Conhecer e dominar a comunicação segundo o padrão formal representa, sem dúvida, um caminho poderoso para a ascensão econômica e social de indivíduos e grupos. Acima de tudo, é uma das maneiras mais eficazes por meio das quais a escola realiza a inclusão social: permitir o acesso a jornais, revistas e livros é abrir as portas para todo o conhecimento científico e filosófico que a humanidade acumulou desde que a escrita foi inventada.
Mas, afinal, do ponto de vista da prática pedagógica, está correto contemplar nas aulas a reflexão sobre as variantes populares da língua? A resposta é sim. A questão ganhou relevância com a universalização do ensino nas três últimas décadas. Com a democratização do acesso à Educação, a escola passou a receber populações não familiarizadas com a norma-padrão. Nesse percurso, surgiu a tese de que falar "errado" representava um impedimento para aprender a escrever "certo". Pesquisas na área de didática mostraram exatamente o contrário: o contato com a norma culta da escrita impacta a oralidade. Ao escrever do jeito previsto pelas gramáticas, o aluno tende a incorporar à fala as estruturas e expressões que aprendeu.
A polêmica sobre o "falar popular" revela a necessidade de dialogar com os alunos não familiarizados com a norma-padrão
Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)
Página 1 2
Mais sobre comunicação oral
ARTIGO
A batalha da língua na guerra das culturas, por Maria Alice Setubal
REPORTAGEM
Falar bem em público se aprende na escola
VÍDEOS
As variantes linguísticas
Exposição "Menas" no Museu da Língua Portuguesa
PLANO DE AULA
Do oral ao escrito
- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.
É óbvio: o célebre poema O Capoeira, de Oswald de Andrade (1890-1954), está quase integralmente em desacordo com a norma-padrão da Língua Portuguesa. Isso não impede, entretanto, que Pau Brasil, o livro de 1925 em que o texto está incluído, seja estudado nas escolas e frequente as listas de leitura obrigatória das mais concorridas universidades do país.
Do regionalismo de Jorge Amado à prosa contemporânea da literatura marginal, passando pelo modernismo de Mário de Andrade e Guimarães Rosa, refletir sobre as variedades populares da língua, típicas da fala, tem sido uma maneira eficaz de levar os alunos a compreender as formas de expressão de diferentes grupos sociais, a diversidade linguística de nosso país e a constatação de que a língua é dinâmica e se reinventa dia a dia.
A discussão, porém, tomou um caminho diferente no caso do livro Por Uma Vida Melhor, volume de Língua Portuguesa destinado às séries finais na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Um excerto do capítulo "Escrever É Diferente de Falar" foi entendido como uma defesa do "falar errado". Muitas pessoas expressaram o temor de que isso representasse uma tentativa de desqualificar o ensino das regras gramaticais e ortográficas que regem a Língua Portuguesa. De fato, não se pode discutir que o papel da escola é (e deve continuar sendo) ensinar a norma culta da língua.
Conhecer e dominar a comunicação segundo o padrão formal representa, sem dúvida, um caminho poderoso para a ascensão econômica e social de indivíduos e grupos. Acima de tudo, é uma das maneiras mais eficazes por meio das quais a escola realiza a inclusão social: permitir o acesso a jornais, revistas e livros é abrir as portas para todo o conhecimento científico e filosófico que a humanidade acumulou desde que a escrita foi inventada.
Mas, afinal, do ponto de vista da prática pedagógica, está correto contemplar nas aulas a reflexão sobre as variantes populares da língua? A resposta é sim. A questão ganhou relevância com a universalização do ensino nas três últimas décadas. Com a democratização do acesso à Educação, a escola passou a receber populações não familiarizadas com a norma-padrão. Nesse percurso, surgiu a tese de que falar "errado" representava um impedimento para aprender a escrever "certo". Pesquisas na área de didática mostraram exatamente o contrário: o contato com a norma culta da escrita impacta a oralidade. Ao escrever do jeito previsto pelas gramáticas, o aluno tende a incorporar à fala as estruturas e expressões que aprendeu.
6.14.2011
Inscrições para ENEM
Inscrições para ENEM
As inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), encerradas na madrugada desta sexta-feira (10), tiveram adesão recorde, com 6,2 milhões de inscritos, 1,61 milhão a mais do que no ano passado.
Em 1998, quando o exame foi criado, apenas 157,2 mil estudantes quiseram fazer a prova. A maior parte dos candidatos está na região Sudeste, que teve 2,3 milhões de inscritos. Logo depois, aparece o Nordeste (1,9 milhão). A região Sul conta com a participação de 780,8 mil estudantes, enquanto Norte e Centro-Oeste contam com 652,0 mil e 573,5 mil, respectivamente.
A inscrição custa R$ 35 e o pagamento pode ser efetuado até o dia 13 em agências do Banco do Brasil.
O Enem nasceu como exame de avaliação do ensino médio e ganhou mais força a partir de 2009, quando passou a substituir ou compor a nota do vestibular de diversas faculdades.
Neste ano, cerca de 83 mil vagas em instituições públicas foram disputadas com base na pontuação da prova, por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Ao menos 14 universidades federais usarão o exame como única etapa seletiva deste ano. Em outras quatro, o Enem irá substituir a primeira fase do vestibular.
Apesar do maior interesse dos alunos na prova ser o ingresso na faculdade, a presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Malvina Tuttman, faz questão de destacar que o Enem não é um vestibular e que sua maior função é avaliar a qualidade do ensino médio.
O recorde de inscrição deve amenizar a imagem do exame depois de dois anos consecutivos de problemas no andamento da avaliação. Em 2009, a prova foi furtada de dentro da gráfica em que estava sendo impressa. Já no ano passado, um erro gráfico e uma troca no cabeçalho dos gabaritos provocaram revolta em estudantes que se sentiram prejudicados.
As inscrições para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), encerradas na madrugada desta sexta-feira (10), tiveram adesão recorde, com 6,2 milhões de inscritos, 1,61 milhão a mais do que no ano passado.
Em 1998, quando o exame foi criado, apenas 157,2 mil estudantes quiseram fazer a prova. A maior parte dos candidatos está na região Sudeste, que teve 2,3 milhões de inscritos. Logo depois, aparece o Nordeste (1,9 milhão). A região Sul conta com a participação de 780,8 mil estudantes, enquanto Norte e Centro-Oeste contam com 652,0 mil e 573,5 mil, respectivamente.
A inscrição custa R$ 35 e o pagamento pode ser efetuado até o dia 13 em agências do Banco do Brasil.
O Enem nasceu como exame de avaliação do ensino médio e ganhou mais força a partir de 2009, quando passou a substituir ou compor a nota do vestibular de diversas faculdades.
Neste ano, cerca de 83 mil vagas em instituições públicas foram disputadas com base na pontuação da prova, por meio do Sisu (Sistema de Seleção Unificada). Ao menos 14 universidades federais usarão o exame como única etapa seletiva deste ano. Em outras quatro, o Enem irá substituir a primeira fase do vestibular.
Apesar do maior interesse dos alunos na prova ser o ingresso na faculdade, a presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Malvina Tuttman, faz questão de destacar que o Enem não é um vestibular e que sua maior função é avaliar a qualidade do ensino médio.
O recorde de inscrição deve amenizar a imagem do exame depois de dois anos consecutivos de problemas no andamento da avaliação. Em 2009, a prova foi furtada de dentro da gráfica em que estava sendo impressa. Já no ano passado, um erro gráfico e uma troca no cabeçalho dos gabaritos provocaram revolta em estudantes que se sentiram prejudicados.
6.02.2011
FIM DA GREVE!
Professores acabam greve, mas ameaçam voltar a parar se descontos não forem reembolsados
Os professores da rede estadual de ensino decidiram encerrar a greve iniciada há um mês, mas garantiram que voltarão a parar as atividades caso o Governo do Estado não reembolse os descontos efetuados sobre os contracheques de maio.
A categoria ainda ingressará na Justiça com ações pela implantação do piso nacional do magistério como vencimento.
Os representantes sindicais dos professores dizem que o governo atingiu os R$ 1.150 com bolsa e gratificações.
A decisão de encerrar a greve foi aclamada em assembléia realizada esta tarde no Lyceu Paraibano, centro de João Pessoa, acatando determinação do desembargador Romero Marcelo da Fonseca, do Tribunal de Justiça do Estado, que em despacho monocrático determinou a suspensão do movimento e imputou multa diária de R$ 20 mil.
Queda de braços
Nesta quinta-feira 2 a greve completava exatamente um mês - período em que mais de 400 mil alunos da rede estadual de ensino ficaram sem aulas. Contrariando as expectativas, a maioria deles apoiou o movimento.
Ao longo do mês, ocorreram uma sucessão de negociações - todas mal sucedidas.
Na última segunda-feira, ao descobrirem que o Governo do Estado havia descontado os dias parados – praticamente zerando os contracheques – os professores ocuparam o Palácio da Redenção, de onde foram expulsos.
O caso ganhou repercussão nacional, engrossado por denúncias de que os cortes haviam sido aplicados de forma indistinta – atingindo até aposentados.
Os professores retornarão às salas de aulas na próxima segunda-feira 6.
Os professores da rede estadual de ensino decidiram encerrar a greve iniciada há um mês, mas garantiram que voltarão a parar as atividades caso o Governo do Estado não reembolse os descontos efetuados sobre os contracheques de maio.
A categoria ainda ingressará na Justiça com ações pela implantação do piso nacional do magistério como vencimento.
Os representantes sindicais dos professores dizem que o governo atingiu os R$ 1.150 com bolsa e gratificações.
A decisão de encerrar a greve foi aclamada em assembléia realizada esta tarde no Lyceu Paraibano, centro de João Pessoa, acatando determinação do desembargador Romero Marcelo da Fonseca, do Tribunal de Justiça do Estado, que em despacho monocrático determinou a suspensão do movimento e imputou multa diária de R$ 20 mil.
Queda de braços
Nesta quinta-feira 2 a greve completava exatamente um mês - período em que mais de 400 mil alunos da rede estadual de ensino ficaram sem aulas. Contrariando as expectativas, a maioria deles apoiou o movimento.
Ao longo do mês, ocorreram uma sucessão de negociações - todas mal sucedidas.
Na última segunda-feira, ao descobrirem que o Governo do Estado havia descontado os dias parados – praticamente zerando os contracheques – os professores ocuparam o Palácio da Redenção, de onde foram expulsos.
O caso ganhou repercussão nacional, engrossado por denúncias de que os cortes haviam sido aplicados de forma indistinta – atingindo até aposentados.
Os professores retornarão às salas de aulas na próxima segunda-feira 6.
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